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O que é a Gagueira?

A divulgação de conhecimentos baseados em estudos científicos ainda é a maior arma de que dispomos contra o preconceito
18/02/2021 Janaíne Kornalewski
Janaíne Kornalewski
Janaíne Kornalewski

Dados de pesquisas nos informam que 5% da população apresenta gagueira em algum momento de sua vida, e que 1% permanecerá gaguejando, cronicamente, para o resto de suas vidas. Assim, estimamos que no Brasil tenhamos mais de 1.800.000 pessoas que gaguejam! Realmente muitas, não é mesmo?

Por um longo período, a timidez foi popularmente considerada como o motivo para a pessoa gaguejar, ou então se acreditava que a causa seria os misteriosos “problemas emocionais”. Se hoje temos muito mais informações do que há alguns anos, e podemos afirmar que gagueira não tem como causa alterações de ordem psicológica, é certo também, que a gagueira pode trazer consequências desastrosas ao equilíbrio emocional de quem a manifesta. Isto porque a reação inadequada dos interlocutores a uma fala gaguejada, causada pelo desconhecimento do que é gagueira, pode fazer com que a pessoa superestime sua dificuldade ao ponto de se recolher em si mesma e se sentir incapaz de realizar atividades naturais que envolvam a fala: dar um recado, iniciar uma conversa, falar ao telefone, discutir algum assunto, narrar um fato, enfim, um número imenso de atos que implicam a busca e o contato com outros seres humanos.

A divulgação de conhecimentos baseados em estudos científicos ainda é a maior arma de que dispomos contra o preconceito, é a melhor forma de evitarmos que a gagueira se agrave e/ou se cronifique.

Então, o que é gagueira?

Gagueira é um distúrbio de comunicação, de base neurofisiológica, que afeta áreas do cérebro responsáveis pela fala e pela linguagem, produzindo uma fala interrompida, descontínua. É caracterizada basicamente por repetições de sílabas, prolongamentos e bloqueios. Exemplificando, temos, respectivamente: uma repetição “Eu que-que-queria ir ao banheiro.”, um prolongamento “Ffffffoi você que pegou o meu livro?” e um bloqueio “Este ***caderno é meu!” Neste último exemplo, os asteriscos buscam representar um instante de silêncio, ou quase silêncio, enquanto o som é produzido. Este instante pode ser mais longo ou mais curto, e ser ou não acompanhado de posturas tensas (quando o aparelho fonador parece estar congelado na tentativa de pronunciar determinado som).

Além destas alterações no ritmo da fala, podem ocorrer também movimentos associados, como piscar de olhos, torção da cabeça, bater o pé no chão, entre outros. Alguns destes surgem espontaneamente, outros são tentativas que a pessoa realiza para se libertar do bloqueio que o impede de falar. Os movimentos associados só ocorrem junto com a fala ou com a tentativa de falar. Eles diferem dos tiques motores, que surgem independentemente de ser um momento de fala ou não. Temos ainda frequentemente a evitação de situações de fala ou de palavras específicas, normalmente as que constituíram dificuldades em vivências anteriores. Como já citado anteriormente, o indivíduo não gagueja por ter um problema emocional, mas gaguejar pode lhe trazer muitos entraves em sua evolução para se constituir como uma pessoa plena.

O que mais é importante saber sobre gagueira?

A gagueira é intermitente: pode surgir repentinamente e desaparecer momentaneamente. As interrupções, por serem involuntárias – sem que se tenha controle sobre elas - podem acontecer a qualquer momento, deixando a pessoa sem grandes previsões sobre quando conseguirá articular naturalmente um som ou uma palavra, ou quando “travará” sua fala. Devemos também estar cientes de que a pessoa que gagueja tem uma dificuldade específica com sua fala e que a linguagem espontânea normalmente é a mais prejudicada, de modo que a pessoa pode ter facilidade em emitir um texto decorado ou utilizar a fala automática como contar números e recitar orações; já explicar oralmente um conceito é geralmente mais difícil do que escrever sobre ele.

Quando surge a gagueira?

Pode iniciar assim que a criança começa a falar, mas em geral se manifesta por volta dos três ou quatro anos. Picos de agravamento da gagueira podem ocorrer por volta dos sete anos, ou mesmo na pré-adolescência e na adolescência, o que muitas vezes é considerado pela criança e seus familiares como seu efetivo início. O surgimento da gagueira em adultos necessita de investigação neurológica imediata, pois pode significar alterações cerebrais importantes.

Mas todo mundo não gagueja de vez em quando?

Todos nós temos rupturas em nossa fala em frequência variável, especialmente em situações de estresse ou cansaço. Estas são consideradas disfluências comuns. A pessoa que gagueja apresenta estas rupturas em maior frequência, com maior intensidade, e apresenta também rupturas atípicas que têm algumas características específicas, conforme detalhado anteriormente, e, que muitas vezes, são acompanhadas por tensão física e sofrimento. Quer saber mais sobre gagueira? Como o que devemos fazer quando uma pessoa está gaguejando? E se existe tratamento para a gagueira? Então, aguarde a próxima matéria que virá em breve! Abraços, Fonoaudióloga Janaíne Kornalewski.

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