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João Cândido Felisberto - O Almirante Negro

Líder da revolta da Chibata - Parte II Final
29/12/2019 Luciana Terezinha Novinski
Luciana Terezinha Novinski
Luciana Terezinha Novinski

Vamos nesta coluna falar ainda sobre o Almirante Negro, JOÃO CÂNDIDO FELISBERTO, após ter sobrevivido aos maus tratos que sofreu na prisão da Ilha das Cobras, onde viu morrer seus companheiros, sua vida continuou. Após ser  absolvido em julgamento realizado em 1912 e  sair da prisão, sua vida se transformaria em uma verdadeiro martírio, pois foi expulso e renegado pela Armada Brasileira. Após a Revolta, trabalhou como timoneiro e carregador em algumas embarcações particulares e da Marinha, sendo demitido de todos os empregos por pressão dos oficiais da Marinha, quando estes ficavam sabendo que ele estava empregado. Em 1917, começou a trabalhar como pescador para sustentar a família. Até os seus últimos dias de vida, João Cândido e sua família viveram na miséria. João Cândido casou-se três vezes. Sua primeira mulher, com quem ficou casado por pouco tempo, morreu em 1917. A segunda esposa em 1928, perdendo também alguns anos depois uma filha, que morreu queimada. Mas com sua última esposa ficou casado até o fim de sua vida, sendo ela como uma verdadeira mãe para seus filhos dos outros relacionamentos.  Ao longo dos três casamentos teve 11 filhos. Faleceu  em 6 de dezembro de 1969, aos 89 anos. Era uma pessoa humilde que não gostava de aparecer, foi procurado por muitos para escreverem sua história mas apenas para o amigo Edmar Morel, amigo particular dele,  concordou em falar e contou sua vida e como foi a Revolta, no livro A REVOLTA DA CHIBATA, sendo a primeira edição lançada em 1959 a qual autografou com Edmar o escritor, e anos mais tarde já que a procura era grande, foi lançada  a Segunda edição do mesmo,  com a venda nas livrarias de todo Brasil. Em 22 de Novembro de 2007, quando se completaram 97 anos da Revolta, foi inaugurada uma estátua em homenagem ao "Almirante Negro" nos jardins do Museu da República, antigo Palácio do Catete, porém em 20 de Novembro de 2008, a estátua do Almirante Negro foi retirada do Palácio Catete e colocada na Praça Quinze de Novembro, no Centro da cidade do Rio de Janeiro. Lá, às margens da Baia da Guanabara, a imponente figura de João Cândido certamente está mais à vontade. Tenho orgulho em dizer que em 2011 quando se comemorou os 100 ANOS SEM CHIBATA, como eu Luciana Novinski  era Diretora de Cultura do Município e Diretora da Casa da Cultura na época, tentei ao máximo fazer com que este ano fosse lembrado. Tivemos a honra de receber na cidade o Diretor de Cinema do Rio de Janeiro Marcos Manhães Marins que dirigiu o famoso curta MEMÓRIAS DA CHIBATA. E que a meu convite veio a Dom Feliciano gravar cenas para o longa CEM ANOS SEM CHIBATA, e esteve também participando das gravações do mesmo a meu convite, a escritora do livro JOÃO CÂNDIDO FELISBERTO, Maria Lucí Correa,  o longa depois de pronto foi exibido diversas vezes no Canal Brasil e pode ser visto no You Tube. Realizamos em homenagem a ele com a CONCOR (Coletivo de Negros Empregados nos Correios)   a Exposição na Casa da Cultura e itinerante nas escolas do município sobre ele e a Revolta. Produzi e distribui  gratuitamente nas escolas o Documentário “João Cândido: A luta pelos Direitos Humanos”, realizado pela Fundação Banco do Brasil em um amplo trabalho de pesquisa e também confeccionei um quadro que mostra João Candido autografando o livro de Edmar Morel e ao lado a assinatura dele que o filho de Edmar, Marco Morel, que organizou a segunda edição do livro me conseguiu e ainda me presenteou com um livro. Também em sua homenagem temos uma escola infantil que leva seu nome, E. M. E. I. JOÃO CÂNDIDO na Rua Emílio Massot. E no BLOG DA LÚ – www.lunovinski.blogspot.com - também tem informações sobre João Cândido, não  deixe de conferir. E devemos lembrar que mesmo achando tarde a ANISTIA foi concedida, pois em  24 de julho de 2008, 39 anos depois da morte de João Cândido, publicou-se, no Diário Oficial da União, a Lei Nº 11.756 que concedeu "ANISTIA" ao líder da Revolta da Chibata e a seus companheiros. Nunca esqueçam de que aqui em nossa comunidade  nasceu um Herói Nacional que não é valorizado como deveria, mas que fica nossa homenagem póstuma por sua bravura. Até nossa próxima coluna.



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